domingo, 4 de abril de 2010

Onde está nossa moral?

Julgamentos morais são essenciais para vivermos em sociedade. Nós perdoamos danos intencionais ou acidentais e condenamos tentativas de prejudicar outras pessoas baseados nessa capacidade. Alguns trabalhos científicos têm demonstrado o papel importante de uma estrutura cerebral chamada córtex pré frontal ventromedial em desempenhar esse papel. Pesquisadores do grupo coordenado pelo renomado neurocientista português, Antonio Damásio (Brain and Creativity Institute and Dornsife Center for Cognitive Neuroimaging, University of Southern California, Los Angeles), publicaram num dos mais importantes periódicos de neurociências, Neuron, um trabalho que vem para trazer luz às bases fisiológicas da moral humana. Trabalhos anteriores já haviam relacionando essa estrutura cerebral com nossa capacidade de julgamento.

Liane Young do Massachusetts Institute of Technology em Cambridge, e seus colegas de trabalho pediram à nove pacientes com lesões no córtex pré frontal ventromedial (CPFVM -Figura) para avaliar vários cenários sobre a sua legitimidade moral. Os cenários retratados eram de uma pessoa tomando uma conduta neutra ou perigosa para outra pessoa, como por exemplo, dar-lhe um veneno que lhe leve a morte. Quatro tipos de avaliação aos pacientes foram tomadas como parâmetro: sem perigo (ação neutra), perigo acidental, falha ao perceber o perigo e sucesso ao perceber o perigo. Os pacientes com lesão no CPFVM se mostraram mais permissivos á falha no julgamento moral do problema apresentado pelos pesquisadores quando comparados com pacientes normais ou com outros tipos de lesões cerebrais. Estes resultados destacam o papel crucial do CPFVM no processamento do julgamento moral em nossa espécie.

4 comentários:

Joaquim disse...

Existe sempre uma questão que nunca vi abordada em termos neurológicos e que está centrada naquilo que é a causa primeira, ou seja, poderemos definir inteligência como sendo a capacidade potencial de utilização dos recursos cerebrais disponíveis num individuo, que será por sua vez um factor determinante para a elaboração de uma determinada realidade mental? Se assim for, está a inteligência inscrita ou não no DNA? Se não está de que forma é biologicamente adquirida? De que forma enquadra-la na teoria evolucionista? Etc...

Douglas Engelke disse...

Joaquim,
primeiro obrigado pela leitura.

Levantas uma questao importante, acredito que a inteligência eh produto de um conjunto de fatores..
Nao sei se conheces o Gardner, ele fala nas múltiplas inteligências, recomendo a leitura dele.
o conjunto de fatores são os genéticos e os vivenciais, isto é, as tuas experiencias de vida, neurobiologicamente falando as memorias e o numero de conexões sinapticas que tu tens.
'bons genes', obviamente, sao importantes noque se diz em capacidade de plasticidade e processamento/armazenamento/recuperação de informação.

Discutir evolutivamente a inteligencia é uma tarefa dificil uam vez que aind anao sabemos definir a inteligencia, e nem mesmo se ela exista como "entidade" ou se é apenas uma forma de tratar o processamento de determinadas informações.
assim como Gardner, nao acredito em UMA inteligencia. Mas sim num conjunto.
Cada situação ('problema") tem determinada forma de solução.
Por exemplo alguem pode ser muito bom em calcular equações complexas, mas pessima em relaçoes sociais.

Tentarei trazer algum artigocom esse enfoque.

mais uam vez obrigado pela leirura!
continue nos acompanhando, em breve estarei aumentando o numero de posts atraves de uma equipe de blogueiros do NEUROticias.

Joaquim disse...

Douglas, obrigado pela resposta.

Antes do mais peço desde já desculpa por conceitos mal ou erradamente por mim apreendidos, pois neste campo sou um autodidacta curioso. A minha formação profissional é em outras áreas ligadas à imagem e à estética.

Do ponto de vista em que me encontro neste momento, as definições que me indicas de Gardner parecem ser um produto resultante de uma acção que é lhe é causal ou seja, necessária e inevitavelmente precedente.

É pacifico atribuir a factores genéticos uma determinada fisiologia anatómica (termo inventado neste momento :) existe?) que assume aqui uma função causal primeira, mas e por exemplo, o mesmo já não é possível afirmar acerca daquilo que designas por vivencias.

Na minha perspectiva actual, esta é determinada por aquilo que caracteriza a individualidade única do ser que, penso eu, irá ser por sua vez determinante para a tipologia dos mapas cerebrais que por si são ocasionados e por conseguinte as conexões sinápticas por ti evocadas, cuja capacidade plástica assumira uma identidade que parece ser obviamente também ela determinada e não determinante.

Concordo acerca da importância da genética para o tipo ou qualidade de um cérebro mas imagino que aquilo que determinará a mente é algo que está para aquém deste ou de qualquer tipo de aspecto vivencial, apesar de estes serem também eles obviamente factores determinantes (um cérebro mal formado ou uma vida de mulher iemenita numa aldeia do deserto são exemplos extremos).

Assim, se concebermos a inteligência como uma forma de tratar o processamento de determinadas informações e assumirmos uma perspectiva neurobiologica compreendemos porque motivo este ou aquele cérebro é mais ou menos competente nesta ou naquela fórmula de resolução, ou seja, a sua capacidade racional é mais ou menos dotada para os múltiplos aspectos ou desafios, ou oportunidades que a vida proporciona, mas estaremos sempre a estudar, a analisar, a observar aquilo que é um resultado que é consequência de uma causa primeira. Questiono-me se esta causa primeira não é a inteligência.

E se (se!), assim fosse?

Vou ficar por aqui para não abusar da tua boa vontade. Um abraço, amigo e desculpa a minha mente teimosa : ) .

Dé Szczesny disse...

Douglas, gostaria de contribuir com o blog, pra isso preciso do teu email e telefone. Favor encaminhar para imprensa.debora@comunicative.com. Obrigada!