quarta-feira, 31 de julho de 2013

Uma carta de condolência e meus pêsames aos médicos e estudantes de medicina





Caros médicos e aspirantes a:

Há anos convivo diariamente com vocês seja como paciente, colega e professor e incontáveis são minhas decepções. Péssimo atendimento, falta de conhecimento básico e, especialmente, falta de trato com um ser humano, são as mais presentes.
No entanto venho hoje me aliar a vocês e prestar minha indignação. Vocês são vitimas. Sim vítimas.
Não é culpa de vocês, não saber nada de mecanismos de ação de medicamentos [e por vezes se orgulhar disso, (“o importante é saber que funciona”, reforçam com uma boa gargalhada “ahahaha”)]. As disciplinas básicas do curso médico são ridicularizadas e deixadas de lado. Não há reprovação “por tradição”, como já ouvi da boca de diretor de faculdade de medicina, nas disciplinas básicas.
Não é culpa de vocês, que a medicina é tecnocrata e não sabe trabalhar sem tecnologia. Vocês não são ensinados que 40% das doenças são psicossomáticas e que bastaria ouvir os pacientes e dar um pouco de atenção a eles para que eles se sentissem melhor. Também não são ensinados que a adesão ao tratamento cai em até 70% se o paciente não tem empatia pelo médico. Nem que o sistema imunológico está diretamente conectado ao emocional e que o estresse passado por um mal atendimento pode acarretar na piora do paciente. Aliás, o problema vem antes.
Aaahh essas faculdades que não falam que vocês devem tratar o ser humano e não os órgãos que lhe recheiam... A culpa não é de vocês que foram doutrinados por 6 anos a achar que são pessoas diferenciadas, mais importantes que todos os outros profissionais. A culpa não e de vocês, por não se atualizar nos novos tratamentos através de artigos científicos, mas sim através dos panfletos que as indústrias farmacêuticas distribuem junto com as propostas de viagens luxuosas para congressos internacionais com tudo pago em Resorts maravilhosos. A culpa não é de vocês por não querer sair dos grandes centros e de não querer trabalhar em saúde púbica. Vocês não são ensinados na faculdade que a saúde não é produto. Aliás não são ensinados que saúde não é ausência de doença. Vocês estudam a cura e não a prevenção. A culpa não e de vocês....
È por essas e outras tantas, que me solidarizo a vocês que ao longo de 6 anos de faculdade, mais 4 anos de residência (que nessa nem entrarei em detalhes) têm passado por um processo de militarização da mente e de lavagem cerebral. A culpa não é de vocês...
A culpa é de um sistema capitalista escroto que preparam vocês para o mercado de trabalho, mas se esquece que a profissão de médico não é qualquer profissão. De fato não é (não se sintam mais importantes por isso, ta?). A profissão de médico não deveria atender as demandas do mercado, pois quando pensando em mercado, pensamos em lucro e é nesse lucro que o sistema está interessado. É esse sistema que financia a medicina mundial hoje. O sistema das indústrias da doença, o sistema que doutrina os médicos de consultórios a prescreverem os medicamentos deles e não se preocuparem com prevenção. Prevenção não da lucro. Saúde também não. Se nosso povo soubesse se tratar, se prevenir, quem iria nos consultórios? Quem pagaria os planos de saúde? Não é culpa de vocês amigos, vocês forem ensinados, treinados a isso. Treinados por uma escola mercantilista de pessoas  muito ruins, que se venderam para um sistema que só quer saber da ausência de doença, ou , pior ainda, no mascaramento dos sintomas, pois vende mais e por mais tempo. É esse mesmo sistema que facilita o acesso aos medicamentos que vocês tanto acreditam e se auto-prescrevem. É crescente o número de médicos dependentes de medicamentos dos mais diversos, de antidepressivos, benzodiazepínicos e psicoestimulantes se mantendo acordados para dar mais plantões e ganhar mais e mais dinheiro. É isso que o mercado quer, que vocês ganhem dinheiro, Gostem de dinheiro, de luxo, de status. E com isso produzam mais dinheiro para indústria da doença. Mesmo que isso lhes custe SUA própria vida. SUA humanidade. SUA saúde.
Finalizando, acredito que mesmo após todo esse doutrinamento, ainda existe um ser humano dentro de todos vocês. Por mais que o cérebro esteja bem treinado e seduzido para o mercado do lucro e da doença e as idéias humanistas bem lavadas.
Olhem para os olhos de seus pacientes. Aliás, olhem para os olhos das PESSOAS que pedem ajuda a vocês. Saibam o nome delas, nem que seja por alguns instantes. Pensem que atrás daqueles corpos recheado de órgãos com doenças, existe uma história, uma família, amores, dores, alegrias, tristezas, Percebam que eles são HUMANOS e ser um humano é muito mais do que ser pedaços de carne que recheiam uma carcaça. Lembrem que vocês também são seres humanos que têm uma história, uma família, amores, dores, alegrias, tristezas. Sei que vocês são capazes de mandar o sistema que doutrinou vocês para o mau ás favas. Fazendo isso, muitos dos problemas que vocês enfrentam se acabarão e vocês voltarão a enxergar a vida mais colorida e menos preta e branca.
(Aliás, porque os jalecos não são coloridos mesmo? É tão mais bonito!)

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Os Três ‘Rs’ do V de Vinagre:

Primeiramente, para fins de esclarecimento, esse texto não parte de um historiador nem de um sociólogo especialista no assunto, mas de um biólogo, pesquisador e educador que milita no movimento estudantil há mais de 10 anos; e é com essa percepção que avaliarei o atual momento no Brasil. Peço desculpas de antemão, pelo excesso de aspas, mas elas aqui se fazem muito necessárias.

Participei das manifestações em São Paulo, de duas especificamente, a mais violenta de quinta feira e a mais esperançosa de segunda, a qual reuniu dezenas de milhares de pessoas. Confesso que, como militante acostumado a ir a passeatas com 100, 200 pessoas e tomar borrachadas aleatórias da polícia, me emergiu um sentimento de esperança. Meus olhos se encheram d’água diversas vezes e achei que havia chegado o momento da minha tão sonhada Revolução.

A mesma segunda que me esperançou, me preocupou. Manifestantes que queriam fazer seu pixo sendo duramente (e fisicamente) reprimidos por outros manifestantes, um espírito nacionalista, que, em outros tempos, sabemos onde levou...

Pessoas gritam que é sem vandalismo, sem violências, mas reprimem fisicamente (socos e pontapés) um “pixador”? Que sociedade é essa que coloca objetos inanimados na frente da integridade física de um ser humano? Desculpe, essa “não me representa”!

Tenho claro que estamos com três Rs pairando no ar e ninguém tem claro qual deles queremos agarrar. Revolução, Reforma e Revolta.

Revolução: é isso que queremos? Se queremos isso, acho que perdemos o timing. Segunda era para ser o dia da revolução, tomar o palácio mesmo, ocupar os prédios públicos e lá ficarmos, declararmos o poder popular, “quebrar tudo” mesmo, com “violência”, não há revolução sem violência, nem que seja uma violência contra o “tão importante” patrimônio. Isso é revolução! Desconstruir para reconstruir melhor com a “nossa cara”. Para isso, precisamos de líderes. Caso contrário, estamos falando em Reforma.

Na reforma não há necessidade de “violência”, a cosia é mais “pacífica”, mas alteram-se poucos tijolos, algumas cores, mas a estrutura continua a mesma, sem grandes mudanças.

Na verdade o que vivemos hoje, infelizmente, é o terceiro erre: Revolta. A revolta é produto de uma raiva, insatisfação, confusão mental por algo que incomoda, mas não se sabe o que. Temos vontade de gritar, berrar, ir contra tudo e todos, pois estamos revoltados, não sabemos muito bem com o que, mas estamos lutando contra.  A revolta é um sentimento muito comum em adolescentes. Adolescentes revoltados, que amadurecem, podem se tornar grandes revolucionários ou meros reformistas (ou até mesmo conformista, mas isso é outro tópico...).

Finalizando, o bebê gigante acordou. Sim. Cresceu rápido até. Mamou, fez estripulias de criança, tomou umas palmadas duras e virou um adolescente revoltado.


Por hora, saio das ruas e trabalharei ajudando o adolescente crescer...

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Você quer MESMO ser cientista 2?: Reflexões de um jovem pesquisador.


Não pude deixar de ler e comentar o texto recentemente publicado pela Dra. Suzana Herculano-Houzel, o qual teve boa repercussão nas rede sociais. A questão da ciência brasileira é de longe uma pelas quais mais me interesse e atuo diariamente além, é claro, de minha rotina de bancada como doutorando que sou no momento.
Partilho de todos os pontos negativos apontados pela Professora Suzana, no entanto discordo de alguns pontos e acrescento outras reflexões para manter o debate acesso (a final de contas, tenho certeza que essa foi a intenção do Professora ao produzir essa reflexão, ela está de parabéns!).
Meu ponto principal aqui é não a critica ao sistema de financiamento de pós-graduação e sim a outras questões que acho mais importantes no que se refere à valorização de um cientista.
O Brasil é de longe um dos países que mais investiu em ciência nos últimos anos. Obviamente precisamos melhorar e ampliar, os cortes previstos para os próximos anos são alarmantes! Ressalto que uma visão trabalhista, embora eu já tenha pensado assim, não é aplicável na pós-graduação brasileira e em nenhum país do mundo. A pós-graduação é um processo de formação, no qual, sim trabalhamos e produzimos conhecimento, sem dúvida, mas somos financiados para nos formar também.
Os EUA, pais o qual  os brasileiros tradicionalmente “pagam pau”, têm um sistema muito diferente do nosso. A grande maioria das universidades é privada sendo preciso pagar para fazer pós-graduação lá. Obviamente que existem bolsas de estudos aos melhores e que os orientadores pagam aos alunos utilizando os seus grants, isto é, se houver. Ou seja, caso você não tenha um bolsa de estudos e seu orientador não tenha Grant disponível para te dar um “salário” você irá pagar para fazer seu doutorado. E isso é uma realidade em outros países. O fato é que existem muitas fundações privadas que INVESTEM em jovens talentos e acabam por financiar seus estudos por entender que isso pode gerar algum retorno no futuro e, possivelmente, lucro.É nesse ponto que foco minha argumentação.
O cientista brasileiro, via de regra, segue uma carreira linear e comodista. Entramos numa universidade fazendo IC, mestrado, Doutorado, Pós-doc, e ficamos aguardando um concurso público, normalmente na mesma universidade que estamos vinculados a 10 anos, para nos tornarmos docentes servidores públicos. Muitos “se contentam” com essa posição e ficarão lá para o resto de suas vidas. O Brasil ainda tem essa visão de supervalorização de concursos públicos. É uma blasfêmia imaginar alguém que larga uma profissão no serviço público, as pessoas dizem “ele tinha tudo na mão e jogou fora!”.
Parafraseando o Professor Calixto da UFSC, para todo o grande ganho deve INEVITAVELMENTE  haver um grande risco. E é ai que nossos amigos administradores e economistas estão na nossa frente. Eles não têm medo de riscos, ou seja, de empreender.
Existem milhares de cientistas que estão ricos, já que o ponto principal é “Money que é good nóis não have”. Pego um grande exemplo, o biólogo Craig Venter. Ele é um dos cientistas mais ricos do mundo. Foi o pai do genoma humano e da bactéria sintética. Foi um péssimo aluno na escola, gostava de surfar e “tirar onda com as gatinhas”. Eis que seguiu o mesmo caminho que nós estamos seguindo, doutorado pos-doc e professor de universidade. Paralelamente empreendeu. Arriscou. Montou uma empresa que hoje é um imenso instituto lucrativo nos EUA , o J. Craig Venter Institute. Ressalto que é apenas um exemplo entre outros vários que existem, não no Brasil, infelizmente.
Se existe um ponto muito grande de falha na formação acadêmica brasileira é isso. Não somos ensinados a empreender a arriscar. É tudo muito paternalista. Não amadurecemos para o mercado de trabalho. Somos como adolescentes que moram com os pais, que reclamam o tempo todo, mas não saem de lá por nada, pois a vida lá fora é mais difícil. Temos medo de sair do conforto da casa da “mamãe FAPESP, CNPq, CAPES, etcs”, mas continuamos nela a reclamar.
Somado a isso, existem os “trabalhadores da ciência”, aqueles colegas que estão lá só porque não conseguiram um emprego e “estava rolando uma bolsa na hora”, normalmente reclamam muito das bolsas.
Por isso acho que realmente é essa a pergunta, mas em outra esfera. Você realmente quer ser um cientista? E ser um cientista não é ganhar uma bolsa de pós graduação e fazer um trabalho na bancada. Ser cientista é fazer perguntas e respondê-las com inteligência. Ser cientista é saber empreender também, aliás, especialmente.
O Brasil precisa aprender que é possível lucrar com ciência, em especial os pesquisadores da área da saúde. Fazemos muitas pesquisas que “não servem para nada”, isto é, não vislumbram a mínima aplicabilidade. Os pesquisadores da área de engenharias, ciências agrárias pensam sempre no final - o produto, o serviço. E nós da pesquisa médica brasileira o que temos produzido nos últimos anos para a população?
Concluindo existem outros caminhos do que o serviço público e a academia, mas para isso temos que arriscar a perder tudo, ficar desempregado, tomar bronca de chefe...
Sinceramente, não sei se nós acadêmicos estão preparados para isso.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Cannabis Sativa, medicamento que renasce - Professor E. A. Carlini

Segue um aula de ciência e sabedoria com o Professor Carlini um dos maiores e melhores cientistas da história desse país com quem eu tenho a honra de ter tido aula e ter contato constante com essa pessoa fantástica. Eis que compartilho um dos momentos que presenciei ao vivo com essa lensa da ciência. Muitos aplausos ao Grande Mestre Carlini!

domingo, 15 de janeiro de 2012

Diferente... Como?

Todas as pessoas têm opiniões sobre tudo o tempo todo. Isso é intrínseco da natureza biológica humana: observamos algo, criamos um julgamento baseado em nossas experiências prévias sobre o assunto ou correlatos a ele. Quando se refere a assuntos polêmicos então, nem se fale.

A questão das drogas é sem dúvida um dos temas que habita o hall dos temas polêmicos. Sendo pesquisador da área de drogas estou sempre atento ao tema bem como às diversas opiniões da população sobre ele. E como são diversas!

Tenho meu posicionamento bem claro, sempre me baseando nas evidências científicas do tema, pois não consigo enxergar outra forma de ver a questão que não seja essa, uma forma menos comprometida com a mentira. Entretanto, esse não será mais um texto opinativo sobre o que eu penso que devemos fazer com as drogas, nem quais as melhores formas de tratar um dependente. Quero discutir o que venho observando nos, que chamo aqui, “debates de boteco”. Conversas de família, amigos, salas de aula e afins.

Enfatizando o meu modo de ver, o científico, droga, em seu conceito original, é toda e qualquer substância, natural ou sintética que introduzida no organismo modifica suas funções (aqui copiado ipsis litteris da básica Wikipédia). Nesse sentido é incontestável que TODAS as pessoas usam drogas. Ampliando o conceito, o termo drogas é comumente utilizado para se referir às substâncias, sintéticas ou naturais que possuem efeitos psicoativos causando alteração da percepção e/ou consciência.

Ainda assim, arrisco a dizer que TODOS usam, ou á usaram, drogas. As licitas como café, chocolate, álcool, cigarro, benzodiazepínicos (os “calmantes”), antidepressivos, antipsicóticos; ilícitas naturais ou sintéticas como maconha, cogumelos, cactos, LSD, cocaíana/crack/oxy, ecstasy, entre tantas outras.
Retomando os “debates de boteco”, é engraçado como os usuários de determinado droga (legal ou ilegal) defendem a sua droga ferrenhamente quando em comparação com outra droga, a qual, no juízo de valor dessa pessoa é pior que a que outra usa. Nesse momento surge uma frase constante nesses debates: “ah, mas é diferente!!!”. Explico. Peguemos o clichê da maconha:

- Mas você é contra a legalização da maconha, no entanto você fuma e bebe, ambos são drogas não é mesmo?
 -[olhar de reprovação/indignação] Ah, mas é diferente!!!

Assunto, normalmente, encerrado por um silêncio indignado do lado oposto, mas conformado com a falta de concordância com os seus argumentos.

Avançando, pense nos pró legalização da maconha sendo questionados sobre o crack:

 - Mas você fuma maconha e ela é ilegal, então é a favor da legalização do crack então?
 - [olhar de reprovação/indignação] Ah, mas é diferente!!!

E lá se vai mais uma conversa encerrada.

Convido a todos a avançar mais! Continuem o diálogo de maneira simples, aqui com lacunas para completar para que você adéqüe ao tipo de droga que desejar defender:

- Mas você é contra a legalização da(o)________, no entanto você ________________, não é mesmo?
 -[olhar de reprovação/indignação] Ah, mas é diferente!!!
 - Diferente... Como?
 - ____________________________________________________________________
...
Não vejo a hora de observar os próximos “debates de boteco” e ver essa lacuna completada. Será um avanço no debate, que andam tão rasos ...

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Education: The PhD factory The world is producing more PhDs than ever before. Is it time to stop?


Acho lindo que a educação tenha se expandido no Mundo, e especialmente no Brasil, mas já venho pensando que expandiu demais a algum tempo. No Brasil, podemos ver todos os dias pessoas dizendo a seguinte frase: "ah, vou tentar conseguir um emprego depois que me formar, se não rolar, vou fazer um mestrado". MUITOS colegas e amigos meus ja me falaram essa frase. Os dados apresentados nesse paper apenas corroboram uma realidade diária dos bate papos profissionais.
 As universidades não estão dando conta de abarcar esses doutores e mestres formados em excesso.Sem falar no numero de idiotas que estão na "ciência". Pessoas essas que não tem a mínima noção do que é ciência, método científico, etcs.
Estava conversando uma POS-DOC aqui em Sampa sobre ciência e etcs, e logo percebi que seu repertório era limitado. Quando falei de método cientifico e de Descartes ela simplesmente me perguntou: "QUEM É ESSE?". Não precisava ter lido o discurso do método (seria ótimo se sim), mas pelo menos saber quem é né??? To sendo exagerado exigindo demais de um cientista doutor???
Para muitos professores, pessoas que encaram a ciência como um trabalho e não como uma filosofia de vida é muito cômodo ter os idiotas em seus grupos de pesquisa. Em especial pesquisa de bancada, pois acredito que em área como humanas esse problema não é tão pronunciado (tendo em vista que o cara precisa estudar, não tem como ficar fazendo experimento).  Já Na ciência experimental o número de trabalhadores da ciência é crescente.
 A fórmula é ótima, ter alunos que trabalhem por suas idéias. Não acho isso ruim, mas poderíamos tratá-los de outra forma e não como estudantes de pós-graduação.
Poderia haver uma contratação de técnicos de bancadas, profissionais, trabalhadores da ciência mesmo e não esses profissionais travestidos de cientistas.
Acredito que seja o momento de começarmos a pensar numa diminuição da oferta de bolsas de PG e um melhoramento dos programas de fomento.
Nós doutorando ganhamos uma miséria! Se eu fosse dar continuidade na minha carreira como professor de pré-vestibular por exemplo, em meus cálculos, não estaria ganhando menos de 3 mil reais hoje. Como doutorando aqui em sampa ganho metade disso. Sem seguro saúde, sem 13º, sem férias, sem FGTS e nenhum outro direito trabalhista.
Ah, mas podem dizer: "mas você não está trabalhando, está recebendo para estudar e está reclamando????".Calma ai cara pálida.... Não posso trabalhar e fazer doutorado com bolsa sabe por quê? Pois sou dedicação exclusiva e não posso ter outra renda, pelo menos de maneira legalizada e não clandestina (como muitos fazem). Se não é trabalho e é estudo, Estaria eu estudando em um internato e não sabia?
Peço aos colegas professores que tem mais poder do que nós alunos para começar a pensar nessas questões e ajudar os estudantes de doutorado e mestrado que realmente  tem a ciência como uma filosofia de vida sentir-se menos desmotivados e desvalorizados, começando a movimentar-se nesse sentido.
Precisamos mudar.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Simpósio Internacional: “Por uma Agência Brasileira da Cannabis Medicinal?”

Nos dias 17 e 18 de maio acontecerá na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), um evento revolucionário para a ciência médica brasileira:
O Simpósio Internacional: “Por uma Agência Brasileira da Cannabis  Medicinal?” cientistas do Brasil e do exterior, sociedades científicas e Agências Governamentais. O propósito do evento será discutir a possibilidade de ser criada a Agência Brasileira da Cannabis contará com a presença de renomados Medicinal, que permitiria e controlaria o uso da maconha e seus derivados para fins terapêuticos.É um grande passo para um enorme país como o Brasil, no qual a política proibicionista em relação as drogas permanece forte e com chances de piorar cada vez mais. 

O evento vem como uma luz no fim do túnel para ois movimentos antiproibicionitas  que, apesar do tremendo esforço, sofrem represálias policiais e políticas quando tem a tentativa de trazer o debate das questões das drogas as ruas.

Promovido pelo  entro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), o evento contará com  a participação de pesquisadores importantes trazendo argumentos científicos sobre os potenciais terapêuticos da Cannabis bem como a proposta de criação de uma Agência brasileira de Cannabis medicinal, permitindo seu uso clinico e experimental. A frente do evento está o grande pesquisador brasileiro, o Professor Dr. Elisaldo Luiz de Araújo Carlini, diretor do CEBRID e pioneiro no estudo da Cannabis no Brasil. As inscrições e programação estão disponíveis no site do Simpósio.

No mesmo mês acontece o evento mundial pró legalização da Cannabis: a Marcha da maconha. A marcha acontece em diversas cidades do mundo inteiro desde 1994 e tem como propósito trazer para a sociedade a discussão da temática das drogas bem como propor a legalização da maconha, a droga ilícita mais consumida mundialmente.

NOTA:

O NEUROtícias apóia a marcha da maconha e entende que a importância do evento não se dá apenas na esfera social, mas também científica, uma vez que a discussão social reflete diretamente na opinião publica facilitando a aceitação de pesquisas como  as da Cannabis terapêutica.

PARA SABER MAIS: